quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

É Natal!

É Natal. E sigo eu, viajando numa velocidade estonteante - daqui pra lá, de lá pra cá, pinga, rola, às vezes descansa um pouco, e segue a dança louca dessa minha vida tão cheia de bençãos.

E as viagens além do corpo físico (internas) deixam essas outras no chinelo. Graças à Deus, e ao Diabo - ambos, sendo Um, preenchendo minha vida de perfeição. Sorrindo e chorando sigo
agradecendo a fluidez dos caminhos e seus(meus) tropeços. E quantos tropeços.

Num brevissimo resumo deste ano que passou, saí de um festival de dança em florianopolis e passei por visita a familia na Alemanha, 2 meses na Noruega, 2,5 na India, 4 em Israel, mais um mes pingando um pouco por Europa, um mes em Sao Paulo e, como que para completar o ciclo, um mes de intensas danças na Argentina - primeiro 2 semanas em Buenos Aires e fechando com outro encontro, dessa vez, nas serras de Cordoba. Com direito a lua cheia e eclipsada de solticio! Sim, todo esse poder sentimos todos na pele e em todos os corpos em nossos dias dançantes.

Bem, mas vim aqui falar de outra coisa, como minhas primeiras palavras nesta mensagem:
É Natal.

O que é o Natal?
Como a frase tão presente em minha vida há tempos: Todo ponto de vista é a vista de um ponto.

Pra muitos, são presentes e muita comida. Pra muitos outros é a falta de presentes e comida. Há quem se conecte com o velhinho de barbas brancas vestido de vermelho, já outros sentem mais o menino que parece ser o primeiro responsável por tudo isto. E por aí vai por infinitos pontos.

O que é o Natal para mim?
É o dia-a-dia. O aqui agora. Porque a cada ano o vivo tão diferente, tanto fisicamente quanto em todos outras dimensões.

Eu dizer que o Natal é o dia-a-dia pode soar como descaso a essa data tao intensa e diversamente comemorada ao redor do mundo. Mas em mim sinto o contrário - sinto que dá mais força e mais valor tanto ao natal quanto ao dia-a-dia.

Todo e cada momento é sagrado - todos mais e nenhum menos que o outro.

O natal é Nascimento - nascimento do que quisermos trazer para nossas vidas e para o mundo. E que seja assim tambem nosso aqui agora. Que nosso dia-a-dia seja um constante Nascimento do que queremos, a cada dia, a cada momento.

Facilmente entramos no automatico de seguir as rotinas diarias, dopados pelas estruturas do mundo que nos cerca. Despertemos, nasçamos, aqui, agora e a cada dia, tazendo o novo. O novo que ja esta aqui, desde sempre - mas que precisa de nossa atencao para poder ser.

Uma frase para refletir:
"voce recebe o que voce SENTE sobre o que voce pensa" Abraham Hicks

Essa frase tem a ver com a lei universal de que atraimos para nossas vidas tudo o que nos passa. E isso se dá tambem pelos pensamentos que temos. Só que mais forte que o pensamento em si, é o sentimento que temos em relacao a ele.

Mais do que nunca está na hora de nascer, renascer e trazer o novo. Só não ve isso quem nao quer.

Quanto mais aqui agora nascermos em harmonia com a Mae Terra, o Pai Celestial, o Grande espírito, a Mae divina, o Eu Sou - mais amor e bençãos é o nosso dia-a-dia.


                           

Eu quero, Eu penso, Eu sinto, Eu respiro, Eu nasço, Eu Sou. Sendo, somos Um.

Para mim, aqui, agora, isso é o Natal.

amoramoramor e liberdade para ser tudo o que é

Tom

domingo, 3 de outubro de 2010

Quero ver quem tem coração!


Hoje recebi um vídeo de um rapaz revoltado com a politica do nosso país e apresentando uma possivel solucao que viria a fazer efeito talvez daqui a uns 20 anos (http://www.youtube.com/watch?v=dAQkMjebkeA&feature=youtu.be). 


Ele fala coisas interessantes sim, e o vocabulário, claro, totalmente dispensável, mostrando que ele também não eh la o melhor exemplo de 'educacao', pior quando julga alguem por suas crencas...

Mas meu ponto de vista vai um pouco alem. Não acho que a politica e educação as quais ele se refere vão fazer a mudança que espera(mos). Não generalizo politica e educação porque , como diz Leonardo Boff: "todo ponto de vista eh a vista de um ponto"

um exemplo: "comer eh um ato politico"
me pergunto o quanto ele eh consciente disto? 

Assim como este existem infindos outros pontos a serem colocados...enfim, acredito eu que a mudança real não vem pela tal educação que esperamos da escola ou pela tal politica que esperamos do governo, mas sim de algo muito mais sutil, e profundo - algo muito mais poderoso: a consciência. Denovo, 'todo ponto de vista eh a vista de um ponto" e a mudança de consciência de um povo pode e vai alterar a politica e educação e o vice-versa também pode ser aplicável...mas não eh a chave, mesmo porque não há tempo para outras geracoes. A hora eh essa, as mudanças já estão acontecendo aqui/agora, e quem não mudar com elas, vai perder o bonde - seja la para onde ele for.

Do ponto onde estou, a vista eh de que a mudança vem de cada individuo, não de governos ou instituicoes. John Lennon ja disse disse:"pense global, atue local". Começa com as menores coisas, desde o que sentimos, pensamos, falamos, compramos, comemos, nossas escolhas de cada momento, de cada dia - ate as maiores coisas; o que sentimos, pensamos, falamos. 

Onde colocardes vossa atenção, lá estareis; para aquilo que dirigis vossa atenção, aquilo sereis, pois a consciência une-se com aquilo que a atenção atrai.” Saint German

Como diz o efeito borboleta: "o bater de asas de uma simples borboleta poderia influenciar o curso natural das coisas e, assim, talvez provocar um tufão do outro lado do mundo". 

O X da questão a que me refiro eh que isso requer um trabalho interno e muito mais profundo do que tudo o que nosso amigo se refere no video. Sem querer julgar, mas talvez já o fazendo, acredito que se ele tivesse um pouco mais de consicencia dessas coisas que falo, nao usaria tantos palavrões em seu discurso - nao por "falta de educacao", mas pela vibracao que ele atrai.

Como fui relembrado através de uma amiga de minha mãe quando estava na Cisjordânia me metendo em manifestacoes, encarando exercito e toda aquela onda densa de la:

"A paz mundial começa no indivíduo. Antes de podermos mudar a condição humana, precisamos mudar a nós mesmos."

Essa frase me provoca muitas coisas, digamos aqui por alto - concordantes e discordantes - e me faz querer comentar alguns pontos, como o fiz quando a recebi. Para ser breve, posso dizer que o 'antes' na frase eh o que não me deixa em paz. Acredito que os dois mudam juntos. Alias, eh inevitável mudar um sem mudar o outro.

Enfim, acredito que para a mudança que queremos, temos que ir nos confessar, não com o padre, mas com o espelho. Olhar bem fundo naqueles olhos divinos e passar minuciosamente por cada detalhe de nossas vidas, nossas escolhas de cada momento, e como isso afeta TODOS os seres a nossa volta. E ai fazer as mudanças necessárias, sem pressa, mas sem perder tempo. Eh como tomar a pilula vermelha do 'Matrix'. Depois do primeiro passo neste caminho, nao ha mais volta. A diferenca eh que na vida real nao tem alguem pra nos oferecer a pilula. A gente vai acordando de acordo com cada escolha. E quanto mais gente desperta, mais facil pro resto despertar tambem - a historia do centesimo macaco.Como diz nosso amigo no vídeo: Quero ver "quem tem culhao" pra fazer isso!

Que todos tenhamos "culhao" e coracao! 
Que TODOS os seres sejam felizes! 
Que TODOS os seres vivam em PAZ! 
Assim é.

com amor
Thomas Bisinger

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Misseis e muita comida boa




No meio de tanto entulho e da bagunca da construção, há uma televisão largada, que eventualmente é movida de lugar para não atrapalhar. Não é ligada já há algumas semanas, desde o fim da copa mundial de futebol - razão pela qual foi trazida. 

Sou o cozinheiro de improvisação de um grupo que trabalha com bio-construção. Dormimos em barracas ao lado da obra. A cozinha é improvisada dentro e, como a tv,  muda de lugar quando necessário.


A cozinha de improvisação
Hoje estamos somente Nitzan, Kfir e eu. À noite, quando entro na cozinha, estão os dois assistindo o noticiário. Nitzan me diz: O Egito enviou misseis à Israel. E dá risada. Eu entendo como uma piada (que não entendi) e faço cara de interrogação. Ele confirma: É verdade, beduínos mandaram 2 misseis do Sinai, no norte do Egito, para a região de Eilat, sul de Israel. Por sorte de um e azar do outro, erraram o alvo. 

Isso tudo é muito surreal para mim. Acostumado a ouvir essas coisas pela mídia, mas normalmente estando a milhares de quilômetros de distância, agora estou aqui, no país onde aconteceu. Assim como no Brasil é comum ouvir sobre um assalto, um assassinato ou afins, aqui uma notícia dessas também já é algo que não parece nada muito fora do cotidiano.

Em diferentes partes do país por onde passei é comum ouvir tiros e explosões do exército em treinamento. Fiquei mais impressionado quando vi os tanques de guerra praticando no deserto, à beira da estrada. Me senti no meio de uma guerra, ou de um filme.

Em qualquer parte - cidades, ónibus, ruas, praças, carros, é muito comum ver jovens, geralmente com cara de adolescentes ainda, carregando imensas armas de fogo. Em Israel todos, homens e mulheres, são obrigados a prestar 3 anos de serviço militar. E em seus dias de folga, devem carregar suas armas por onde forem.


Próxima Quarta feira será meu ultimo dia de trabalho como cozinheiro do grupo aqui no Moshav. Feliz de sair dessa bagunça de construção. Vou sentir saudades das mangas. 

Moshav é uma comunidade rural israelense que praticava principalmente a agricultura. A maioria das pessoas aqui já se desligou da terra e usa seu terreno para construir grandes casas ou mansões. É comum ter plantações de frutíferas abandonadas. Em frente à casa onde estamos trabalhando há uma plantação de mangas com diversas espécies e estamos bem na estação. Um de meus maiores prazeres aqui é passar tempo ali, colhendo e me lambuzando com essas delícias. Quando se come uma boa manga fica provado que Deus existe.

Passo alguns dias curtindo Tel Aviv: praia, bicicleta, Jaffa, festa, cinema, e estou praticamente decidido a seguir rumo ao Egito muito em breve. Vou ao consulado pedir o visto e o senhor que me atende diz que é melhor fazê-lo em Eilat pois lá demora apenas uma hora e aqui 3 dias. Então começo a sentir algo que me diz para não ir pro Egito agora. 

Tenho algumas conversas com diferentes amigos que fazem aflorar naturalmente uma questão que sempre volta nesta minha vida meio nomádica: o que fazer neste momento? 
Sinto vontade de concentrar minha energia em algo mais construtivo e focado. Algum projeto talvez. Só não tenho a clareza do que. Tenho tantos ramos com os quais me envolvo: alimentação, escrita, fotografia, palestras, teatro, clown e tantas outras que fica difícil escolher.

Na sexta feira participo mais uma vez da ceia cerimonial de Kabbalah Shabbat com família de minha amiga Noa. É um evento para dar as boas vindas ao Shabbat, que é o Sábado, o sétimo dia. Deus criou o mundo em seis dias, no sétimo descansou. Este é um dia sagrado para o povo judeu, no qual não se trabalha. É dia de descansar e simplesmente ser, estar. 

Por mais que não entenda ainda muitas das coisas da cerimônia, é um momento muito especial, família reunida ao redor da mesa com alimentos preparados com muito amor e dedicação. Uma festa em nome de Deus.

O pão e o vinho são partilhados em um ritual. As orações são recitadas e cantadas e o alimento é servido. Após o jantar, Noa e eu partimos de carro para uma festa que está rolando no norte do país, a aproximadamente 2 horas de carro. Israel de cruza de um extremo ao outro em aproximadamente 7 horas. 

A festa começou ao pôr do sol, num kibutz onde moram muitos amigos dela. Agora são mais de 21h. Será que ainda pegamos algo?

Chegando após a meia noite já não temos muita esperança mas, para nossa alegria, encontramos ótima musica e linda energia com a galera dançando. Muitos já foram dormir, mas a festa continua animada.

Sábado vamos, no final de um dia muito quente, para um riacho nas proximidades. Essa é uma face de Israel que não havia visto ainda. Rios neste país não há muitos, estão mais presentes por aqui, no norte, que também é mais verde e montanhoso. 

Por aqui há diversas vilas árabes ou drusas que são famosas pela rica comida árabe. Paramos para comer em uma delas. É interessante notar que os alimentos tradicionais tão apreciados pelos israelitas: falafel, hommus, babaganush, pitta, etc, são tradicionalmente árabes. Além dos alimentos, outra coisa muito presente em israel são muitas palavras árabes, principalmente pelos mais jovens.

Nos deliciamos com hommus com pinhole, saladas, azeitonas e charutinhos de folha de uva. Depois vamos a Kadita, visitar nosso amigo Dror.

charmoso banheiro seco construído na janela
Kadita é como uma vilinha rural onde passaram a viver muitas pessoas que buscam uma vida mais harmônica com a natureza. Dror mora numa área onde um grupo vive mais conectado, fazendo reuniões e eventos comunitários. A eletricidade aqui é solar. O banheiro é seco e completa-se o ciclo: plantar-comer-defecar-plantar-comer-defecar...

Passo uns dias com a casa toda só pra mim na maior parte do dia. Bom estar nessa solitude nesse meu momento de transição. Sábado dou oficina de alimentação viva em Tel Aviv. Talvez tenha que organizar mais de uma porque tem muita gente interessada. Bem, um passo de cada vez. 

Agora estou aqui.

sábado, 17 de julho de 2010

Gypsindian Music Festival 2010 "by Caravaggio"

She's so strong, the Desert!


She's so Strong
She's got so much light
And her forms, wow, those curves...
I look at her and see myself
I love you Desert
For the Silence that tells me everything!

Um Guru e suas emanacoes