uma viagem acronológica multilingue através de pALAVRAS e iMAGENS de minhas andanças por este mundo
domingo, 10 de fevereiro de 2013
quarta-feira, 24 de outubro de 2012
Celebração Secreta
Na segunda-feira, 22 de outubro, de repente me dei conta de
que meu aniversário estava muito próximo. Senti uma crescente vontade de
celebrar, ter os amigos por perto. Tenho tantos amigos, de tantas aventuras,
jeitos, sabores, tantas histórias, tanto amor. Muitos deles espalhados por esse
mundo pelo qual tanto caminhei. Muitos também aqui mesmo nesta cidade para onde
voltei. Só que essa relativa proximidade física de estar na mesma cidade não necessariamente
reflete no sentir, no ver e viver cada dia. Os caminhos, as escolhas e os
afazeres de cada um cria um ritmo próprio no qual, se um não está inserido,
fica difícil entrar. Viagem minha? Sim, com certeza! Só minha?
Nesse mesmo dia, com essa mesma vontade tomando conta de mim
causando inclusive certa euforia, com mistura de tristeza e alegria, e com um
quê de provocação, postei no facebook: meu niver, que fazer?
Uma ou outra sugestão, uma ou outra confusão, pensando que
meu aniversário era naquele mesmo dia e de repente veio de volta, da amiga Fernanda- outra
provocação: “Tom, há um projeto que incentiva as
pessoas a usarem esse dia de aniversário com um novo olhar. Não apenas aquele
olhar um tanto quanto egoísta de que hoje é o MEU dia, e eu devo receber. E sim
hoje é um dia em que eu posso dar, posso retribuir ao mundo, aos meus pais, um
pouco desse tanto que venho ganhando...”
Entendi a proposta e me
identifiquei com ela, mesmo porque é parte de minha vida, não especificamente
no meu aniversário, mas no meu dia-a-dia de um modeo geral. Entrei no site do
projeto para dar uma espiada e vi algumas sugestões de como celebrar o próprio
aniversário com algum tipo de serviço.
Entre idéias que são realmente
parte de meu cotidiano, idéias interessantes que ainda não tinha posto em prática e outras que
não me atraíram, encontrei uma específica que me chamou muito a atenção: Converse com um morador de rua,
pergunte-lhe o que precisa / compre um café ou um
pouco de comida.
O
fato é que, sem quaisquer pretensões de, como diz a entrada do site “salvar o
mundo”, no meu aniversário do ano anterior havia feito exatamente isto. Passei
por um semáforo onde um homem com pernas atrofiadas pedia esmolas e me deu
vontade de comprar-lhe uma bela refeição. Fui a uma padaria chique ali perto
que tinha um bufê e fiz uma marmita pra ele. Bati um papinho rápido e segui meu
caminho.
Não
é algo que eu fiz com frequencia em minha vida, apesar de ter um chamado para
isso. Me intriga muito as pessoas nas ruas, nos semáforos, nas calçadas, nas
praças. Mas por algo não costumo me aproximar delas e estabelecer quaisquer tipo
de relação. Em geral só um rápido olho no olho.
Então,
naquela segunda-feira, 22 de outubro de 2012 eu pensei que poderia fazer algum
tipo de atividade que pudesse ser considerado serviço ao próximo em cada dia
desta semana do meu aniversário, que seria na quinta-feira, 25.
Segunda
e terça-feira passaram e eu nao fiz nada disso. Seegui nos meus afazeres
diarios com aquela ideia presente mas nem tanto. Até que chegou a quarta-feira,
24. Manika, minha astróloga tinha me comentado que este ano meu aniversário
seria efetivamente no dia 24 e não 25. Não falei isso para ninguém e comigo
mesmo pensei fazer algo especial, talvez sair da cidade, ficar na natureza,
meditar, nadar, e só estar. Mas naquela
manhã nao tive vontade de fazer isso. E logo me vieram ideias do que eu poderia
fazer neste dia. Seria um dia de serviço. Sem muitas expectativas, sem muito
planejamento, sem nada grandioso. Pequenas ações, no fluxo do dia.
Como
já disse Lao-Tsé, ‘uma jornada de mil léguas começa com um único passo’. Meu primeiro passo era doar sangue. Algo que
fiz somente uma vez na vida ha mais de dez anos. Algo que ja estava proposto a
fazer há alguns meses para fazer uma reposição para o pai de uma amiga. Até
cheguei a ir no hospital uns 2 meses atrás, mas por conta de uma diarréia nao
pude doar na ocasião.
Hoje
estava decidido, nada me impediria. Saí de casa somente as 12h30. As 14h37
seria o momento específico do meu aniversário, astrologicamente falando. Fiz um
rapido planejamento para pensar em possiveis locais para vivenciar a hora H num
local agradável e propício para uma internalização, uma meditação. Talvez no
parque Ibirapuera, talvez em um mosteiro budista na Liberdade, talvez alguma
igreja. Pensei e soltei para o Universo. Eu nao pretendia controlar nada.
A
caminho do hospital, parado num semáforo, vi um homem se aproximando em sua
cadeira de rodas vendendo balinhas e chicletes. Logo lembrei dos exemplares do livro que publiquei que havia colocado
no carro de ultima hora para presentear algumas pessoas aleatoriamente nesse
dia. Quando ele chegou a minha janela rapidamente me estiquei para pegar um exemplar
do banco de tras e lhe perguntei: voce gosta de ler? O ‘sim’ dele foi mais
natural e convincente do que eu poderia esperar. Lhe entreguei o livro e ele
ficou muito interessado. Apreciou muito a capa, como já é costume e antes mesmo de abrir, fez
varias perguntas. Ficamos ali batendo um papinho graças aquele semáforo
demorado.
É
impressionante o quanto algumas poucas palavras e olhares podem nos aproximar
um ao outro, o quanto podem nos lembrar que somos todos humanos, todos iguais.
Eu no meu santana com meus livros e ele em sua cadeira de rodas com suas balas.
O sinal abriu, apertamos as maos e nos despedimos com um olho no olho ainda
mais profundo. Antes de partir ele ainda me deu uma de suas balinhas.
Chegando
no hospital, observando sua entrada majestosa me questionei sobre estar indo
doar sangue ali ao inves de fazê-lo num órgão público. Claro, estava ali para
doar em nome do pai de uma amiga, mas ja fazia tanto tempo que imaginei que
talvez nao se aplicasse mais. Entrei no banco de sangue e entreguei minha
identidade. A recepcionista me informou que a espera seria de aproximadamente 1
hora.
Já
era tarde e eu queria fazer algumas coisas ainda neste dia. Além disso, 14h37
estava se aproximando, e eu tinha planos de estar em algum lugar calmo, comigo
mesmo, nesse horario. Falei que voltava outro dia, e parti em busca do hospital
publico que imaginava ficar ali pertinho. Lá nao tinha fila de espera grande,
mas o processo todo leva um tempo, desde o cadastro até a extração do sangue em
si.
Quando
me dei conta ja eram 14h40. Sentado na cadeira de doação eu fechei os olhos e
meditei um pouco. Logo uma enfermeira me chamou: voce esta se sentindo bem? Eu
sorri: Sim, estou bem! Segui minha meditacao com olhos abertos.
Antes
de sair lhe entreguei um de meus livros. Ela tambem puxou um papo. Agradeceu e
fomos cada um para um lado.
Como
a hora H ja tinha passado e a tarde estava avancando rápido decidi que minha
próxima missão era ajudar amigos a fazer um minhocário em sua casa. Eu ja tinha
comprado as caixas pensando em talvez fazer um minhocário para vender ou mesmo
fazer uma troca com eles. Entao hoje antes de sair de casa coloquei as caixas
no carro. Liguei para confirmar se tinham furadeira e fui até lá.
Não
tinham a broca certa. Saimos para comprar. Fizemos os furos nas bases das duas
caixas superiores e o encaixe para a torneira na caixa inferior. Pronto! Só
faltam as minhocas. Yanina e Bruno ficaram muito felizes e um tanto surpresos
com minha aparição e o feitio do minhocário assim de repente. Eu também.
Próxima
parada:casa do amigo Claudio Belli. Há mais ou menos um mês fomos juntos à Teodoro Sampaio comprar
cada um o seu violão. Desde então havia a idéia de eu lhe passar um pouco do
que eu sei, ensinar algumas musicas, fazer um som juntos. A hora é agora.
Virou uma confraternização entre amigos que deu em pizza. Mas nao acabou por
aí: fizemos um som juntos e assim fechei meu dia 24 de outubro de 2012.
Feliz
Aniversário.
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quarta-feira, 18 de abril de 2012
Uma Lembrança do Tao
...entende que o Universo está para sempre fora de controle, e o tentar dominar eventos, vai contra a corrente do Tao.
Byron Katie
Esses dias tem sido um tanto estranhos, como num lapso fora do tempo. Um passo passou e o outro ainda não chegou. A vontade é de fazer planos e agir, mas tudo indica que é hora de silenciar e esperar um pouco, até que a vida apresente o próximo passo. Digo a mim mesmo que se estivesse numa praia ou qualquer lugar na natureza ou mais propício para relaxar, seria mais fácil me entregar. Será? Bem, aqui estou, em uma das maiores cidades do mundo, praticando meu sadhana diario: meditando, orando, cantando e alongando e a cabeça cheia de informação. Ah sim, e ficando horas no computador.
Também trato de resolver pequenas coisas mundanas: bancos, mecanicos de automovel e bicicleta, lojas. Os afazeres não fluem. Fico irritado. Me observo. Me acalmo. Sinto falta de presença e atenção. Erro os caminhos repetidas vezes. Volto ao mesmo lugar para fazer o que faltou. A gota d’água é quando quase passo num sinal vermelho sem nem perceber. Não tinha acabado de mudar, estava vermelho mesmo. Mas as coisas continuam.
Graças aos audios de Byron Katie com os quais estou me deliciando, tenho estado bem presente na consciência do Tao. Parece contraditório? Pois é. O bom é que observo todas essas coisas acontecendo e sorrio, mesmo quando irritado.
Noite passada, assistindo um pedaço de um filme bobinho me emociono e desabo em lágrimas e soluços. Nesse mesmo instante o telefone toca. Não tem sentido atender, não vou conseguir falar. Vejo quem é: Julia. Atendo. Ela fica supresa com meus prantos. Converamos brevemente e desligo para seguir degustando daquele momento. A cabeça traz mil pensamentos e questionamentos, mas a sensação é até agradável, aliviante.
Vendo uma postagem da Noa no Facebook me dou conta que hoje é meu cumplekin, meu aniversário do calendário Maia. Sol Cristal Amarelo.
Dedico-me com o fim de iluminar
Universalizando a vida
Selo a matriz do fogo universal
Com o tom cristal da cooperação
Eu sou guiado pelo poder do livre-arbítrio
Universalizando a vida
Selo a matriz do fogo universal
Com o tom cristal da cooperação
Eu sou guiado pelo poder do livre-arbítrio
"Como guardião da luz, trago para minha vida o poder curador do amor incondicional."
Então aquilo tudo ontem foi meu “Inferno astral” Maia?
Após deixar o carro na mecânica pela terceira vez consecutiva pelo mesmo problema, paro no parque debaixo dos bambuzais. Gosto muito desse local. Olho em volta, muito lixo no chão. Bitucas de cigarro, papel de bala, tampinhas de refrigerante, cacos de vidro e um saco plástico. Pego o saco e vou coletando os lixinhos. Não tenho muito costume de fazer isto. Volta e meia coleto algumas coisas, principalmente em trilhas. Aqui o faço tão naturalmente que parece uma atividade do dia-a-dia. E faço com alegria.
A cada elemento recolhido e depositado no saco imagino, como num flash, a pessoa que o deixou ali. Sorrio com um sentimento de ternura por esse ser. Me sinto melhor ainda por nao fazer nenhum julgamento a respeito do lixo. Apenas recolho porque quero o local limpo. Ao terminar me deito num dos tres bancos de cimento debaixo de um dos bambuzais e ali fico, entregue ao presente. Observo pensamentos, admiro o visual e fico inerte por algum tempo, sentindo imensa gratidão.
Quando vem a vontade de me mover, primeiro me sento no banco. Observo o meu redor. Olho para os bambus. Gosto muito deles. Vejo um naturalmente torto, com um formato de arco. Me agrada. Penso que poderia cortá-lo bem ali para levar de lembrança e fazer algo com este pedaço. Sem tempo para pensar me pergunto: por quê? E como se isto nem tivesse acontecido, continuo olhando em volta.
No chão de terra batida, bem perto de meu pé esquerdo vejo mais um pedaço de vidro e antes mesmo de recolher, me chama a atenção o seu formato. Um coração. Quais são as chances de um caco de vidro ter um formato de coração?
domingo, 18 de março de 2012
quarta-feira, 8 de junho de 2011
Viajando por Moçambique
O albergue Fatima’s é realmente um bom lugar para encontros e reencontros. É um dos principais pontos de parada dos mochileiros que passam por Maputo. Como se não bastassem todos os encontros e reencontros que já havia experenciado ali, de repente me aparece um camarada inglês que eu conhecera na Cidade do Cabo. James está agora viajando com um amigo alemão, numa kombi que batizaram de Susie. Dentro tem armários e uma cama que ocupa toda a parte de trás. Vão subir pela costa de Moçambique e depois cruzar para Malaui. Como gosto de conexões, já conecto isto aos planos de viajar Moçambique acima com Katrin, e pergunto pela possibilidade de carona. Eles topam.
Após uma longa e deliciosa viagem na Susie, com James e Chris, chegamos até a praia de Tofo, na província de Inhambane. Para economizar nosso dinheiro, eu e Katrin dormimos ao relento, sob pinheiros à beira mar, sentindo o vento forte que vem da praia ao lado, Tofinho. Domingo é um dia e tanto. Lavamos as almas nas ondas mornas do oceano índico, e depois vamos ao mercadinho local comprar coisas para o café da manhã. Não há muita variedade, mas o que tem é de qualidade. Nossa refeição: pãezinhos com abacate e banana e pão de coco. Aliás, o pão de cada dia em Moçambique é uma benção. Vendido nas ruas por mulheres com bacias cheias deles na cabeça, está sempre fresquinho, é crocante por fora e macio por dentro – lembra um pouco a ciabata, e é muito barato. Depois do café vamos até o vilarejo isolado que fica atrás da praia, em busca de água de coco. Muito bem acolhidos pelos residentes, dizemos que estamos em busca de coco verde. Um jovem trepa num dos coqueiros que há entre as casas e colhe dois. Tomamos a água, ganhamos castanhas de cajú recém torradas e experimentamos “soura”, também chamado de vinho de coco. É um líquido extraído da base da folha do coqueiro que fermenta sozinho. Quanto mais tempo se deixa descansar, mais forte fica.
Decidimos seguir viagem, mais para o norte. James e Cris ainda querem ficar uns dias. Na segunda de manhã, com nossas mochilas nas costas, saímos andando, pedindo carona. Conseguimos uma até a cidade de Inhambane. Para seguir para o norte, temos que cruzar o canal, de barco, até Maxixe ou dar uma grande volta pelo sul. Decidimos ir com os barcos de madeira e velas de pano. Entramos num que já está cheio e ainda ficamos esperando mais um bom tempo até que fique abarrotado. Isso é comum em qualquer transporte público pelos lugares da África em que já passei: o transporte não sai enquanto não está completamente lotado.
Em Maxixe caminhamos ao longo da estrada, para o norte, com a intenção de nos afastarmos da cidade e pegar carona. Mas a cidade não acaba. Caminhamos por um bom tempo com as mochilas pesadas. Paramos à sombra numa parada de chapas. Após longa espera conseguimos uma carona que não nos leva muito longe, mas ficamos bem felizes simplesmente por estarmos novamente em movimento. Nos deixa à beira da estrada, num local onde só há mulheres vendendo tangerinas e bananas. Nem cinco minutos de espera e chega a carona que nos leva até Vilankulos, nosso próximo ponto de parada. Ainda em Maputo, eu havia perguntado a Sean, o cara com quem Cláudio estava viajando, se poderíamos ficar em sua terra, em Vilankulo. Ele concordou, com a condição que eu fizesse um banheiro seco. Seria simplesmente cavar um buraco gigante e tapar com pedaços de madeira. Topei.
Chegando lá, procuramos pelo hotel de seu padrasto para saber onde fica o terreno. Ele nos mostra o terreno e também onde podemos pegar água numa escolinha ali ao lado. Também nos apresenta às vizinhas, que são as antigas donas do terreno de Sean. Fátima, Cândida, Anita, o menino Alberto e a menininha Olga. Cândida já se familiariza com Katrin,chamando-a de prima Catarina. O terreno de Sean é um pequeno pedaço de terra com solo arenoso, poucas árvores e duas pequenas cabanas de palha, uma retangular e outra quadrada. Ficamos na primeira, com teto de placa de metal. Montamos as camas com restos de palha que encontramos pelo terreno. Então andamos os quatro quilômetros até o centro da cidade para comprar comida: pão, banana, tangerina, tomates. E assim ficamos alguns dias.
quarta-feira, 27 de abril de 2011
La excusa necesaria para lo esencial
lo que hago no es esencial
lo esencial es (lo unico) esencial
no hay que hacerlo, no hay como hacerlo. es!
lo que hago , hago por hacer algo.
no tengo que hacer nada;
solo hago algo por hacerlo.
hacer algo es una excusa,
porque no hay que hacerlo
lo hago por hacerlo y asi llegar
a la esencia
asi que hacer algo es una excusa
para llegar a lo que no se puede hacer:
lo esencial
(y solo haciendolo la alcanzo, pero no la es)
lo que hago es simplemente una excusa
La excusa necesaria para lo esencial.
Siendo lo que es, una excusa, no es lo esencial.
Pero asi como la sombra me muestra la presencia de la luz
La excusa me lleva a la esencia.
Sin sombra no percibo la luz
Sin excusa no llego a la esencia
La excusa no es lo esencial
La excusa es solamente esencial.
Lo que hago, que es solamente una excusa, se hace
por si misma esencial.
Lo que hago, hago por hacerlo y asi
llegar a lo que no se puede hacer: lo esencial
lo esencial es (lo unico) esencial
no hay que hacerlo, no hay como hacerlo. es!
lo que hago , hago por hacer algo.
no tengo que hacer nada;
solo hago algo por hacerlo.
hacer algo es una excusa,
porque no hay que hacerlo
lo hago por hacerlo y asi llegar
a la esencia
asi que hacer algo es una excusa
para llegar a lo que no se puede hacer:
lo esencial
(y solo haciendolo la alcanzo, pero no la es)
lo que hago es simplemente una excusa
La excusa necesaria para lo esencial.
Siendo lo que es, una excusa, no es lo esencial.
Pero asi como la sombra me muestra la presencia de la luz
La excusa me lleva a la esencia.
Sin sombra no percibo la luz
Sin excusa no llego a la esencia
La excusa no es lo esencial
La excusa es solamente esencial.
Lo que hago, que es solamente una excusa, se hace
por si misma esencial.
Lo que hago, hago por hacerlo y asi
llegar a lo que no se puede hacer: lo esencial
segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011
Além
Me vem a imagem dos olhos de um cego, abertos, escancarados, espalhados. Não olham para nenhum lugar como se vissem tudo ao mesmo tempo. Talvez não vejam tudo, mas sei que vêem alem. Não ver proporciona ver além. É como o não fazer nada do tantra. Não faz sentido mas assim e porque assim o sinto.
Faz calor. Sirenes distantes preenchem o ar por breves instantes deixando-me atento ao Om, som da cidade, ao desaparecerem. São muitos Oms-sons formando um. Às vezes identifico um fusca. Um trator. Um gerador? Esses vão e vem. O Om não. Este é constante, onipresente.
Uma brisa suave entra pela janela dando uma sensação de frescor em meu corpo transpirado. Meus bigodes e minhas costas sentem até um gelado.
É bom estar, simplesmente estar. Ouço o toque chato e repetitivo de um celular. Não sei se está aí ou se e só dentro de minha cabeça, impregnado em minha mente de tantas vezes escutá-lo. Dou graças por não ter celular aqui e agora. Iemanjá demandou e a onda o penetrou.
Sentado aqui no chão do apartamento não sei o que fazer. Isso me dá graça e atá alegria de um jeito irônico. Quanto já sofri nesta vida por não saber o que fazer. Agora estou aqui, igual mas diferente. A mesma vista de outro ponto.
Me emociona como as coisas acontecem por si só quando me permito fazer nada. quando me abstenho do esforço.
Brinco com a janela que o vento fecha e eu abro repetidamente. Ela sorri. Mexo os dedos dos pés. Dobro, estico. Dobro, estico. Observo, sinto. Sem querer, me vejo em visão difusa. Olho para tudo e não vejo nada. Vejo além.
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